terça-feira, 20 de julho de 2010

Todo o meu esforço canalizo pra vida...

...
Não para o meu equilíbrio, não para as certezas.
Sigo suportando nas costas todo o peso da desesperança, pois que a esperança, é ridículo, dramático, que a humanidade ainda precise dela.
Esperança em quê?
Em remédios que curem?... Em poemas que se dão de mão em mão?
E as cartas sem resposta?
E os becos sem saída?
E a nova hipocrisia?
E o deus-dinheiro que nos espreita a cada esquina?...
E a África? E a América Latina?...
E todas essas universidades e tantos analfabetos?...
Toda gente sabe a extensão da verdade: surpreendo a paisagem esfomeada, o gatilho já não precisa do dedo de ninguém.

de Artur Manuel do Cruzeiro Seixas

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